terça-feira, 13 de dezembro de 2011

GERUNDIANDO

O que pode ser feito daquilo que se desfez?
O que pode ser tirado do que decomposto foi?
O que pode ser reformado, se cansado, indeterminado, angustiado está num vazio?
Ah... vou deixando, vou sonhando, imaginando o que pode ser
e mesmo que não o seja
esperando pode ficar
cantando versos, no assobiar,
de uma tarde, na janela.
O que se quer e o que se espera
é que se queira mais
e, querendo, o faça
e, fazendo, o idealize
e, idelizando, o reproduza
e que, pensando sobre mim, eu deduza
que posso ir mais além.
Assobiando uma valsa
olhando o pássaro voar
se minha mente voa com ele
quem pode me alcançar?
Por isso, gerundiando vou
vendo o que pode ficar
que mesmo assobiando cantigas tristes
foram elas que escolhi cantar.


Léa Mont'Alverne
13.12.11

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Doce Eternidade

Era como o vento nos meus cabelos
entrelaçando suas mãos nos fios
discorridos por horas a fio,
sobre o cheiro que espalhara no ar,
palavras meigas
que me causavam pesar
apesar do meu querer.

Atirara-se-lhe ao chão a flor outrora nos cabelos
com a mão no relógio parava-se-lhe o tempo
sem tempo pra pensar no que se havia de fazer
naquela noite, naquela cidade
criava-se-lhe a eternidade.

Na eternidade do momento,
um beijo sobre os olhos acalentava
um canto que não se ousou cantar.
Contanto que seja eterno
pode-se, entao, prolongar.

No prologar dos carinhos
carinhosamente não pensados
Buscados cuidadosamente aonde não se procura
procurando um amor que estava ali
já achado
pelas cabelos embaraçados
e pela flor atirada ao chão.

Então, segura meus cabelos
descabela meu juizo
que, com ou sem flor,
não ousando falar do meu amor
é so dele que consigo falar.

04;08.11

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Janela


Restaria, ainda, uma esperança
que eu fingia nao ter
Nada vindo da lembrança
era apenas um querer

Um querer solitário
de que fosse algo mais
mais do que palavras frias
mais do que conversas vazias
e olhos que queriam olhos
esperando-o na janela.

Ah, descobri esses dias
que a janela do meu sonho
somente lhe cabia.

E espero, espero, espero
na mesma janela
que, da janela, me avistes
e de pronto me convides
para dividir a tua vida.

Um amor de verdade
um sonho que vira realidade
a minha vida só na metade
porque a outra parte
a ti entregarei

Se me percebes, então
dando-me o braço, dá-me o coração
e pucha-me da janela adentro
e eu te mostro
quão colorida é a vida
que mesmo com a alma partida
junto a mim se renova.

Ah, descobri esses dias
que a janela do meu sonho
cabia um amor eterno
um aconchego verdadeiro
um carinho que se prolonga no tempo
e, sendo, que seja infinito
como o tempo o é.


23.07.11

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dicotomia

Tanto tempo de espera
Na sombra de alguém
que se elevou
e enalteceu
cresceu como se crescem as plantas
regado com orvalho
alumiado pelo sol.

Sopra-se o vento
tira-lhe folhas secas
renova-lhe a aparência
sendo, contudo, a essencia
uma antítese disfarçada
uma equação bem esborçada
que ninguem consegue resolver!

Como lhe desejara, os frutos dessa árvore!
Quão apetitosos pareciam!

E... à beira da parede
deveria crescer rente ao chao.
E vem o sol...
e passa a chuva...
e sopra o vento...
e vão-se os dias...

De tal modo que,
no despertar melancólico
de mais uma manhã
a planta subira na parede
enrolara-se nas grades
Elevara-se... para muito além do esperado.

Acaso não fui eu quem lhe deu de beber?
Acaso não fui eu o orvalho e o sol e o vento?
como poderia ter se elevado,
quando deveria ter ficado rente ao chao?
Pego-lhe o fruto...
engano-me que seja melancia pequena
e, no provar descubro:
era maracujá!

Ah... que decepção
porque, afinal, do pés de maracujás
nao se podem tirar melancias!!


13.07.11

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sóbria Embriaguez

Uma música clássica que tintila
e saboreia do vinho que pensei ter posto ao cálice
e que sobem as notas e descem aos aordes do violino
misturadas ao vermelho do vinho.

E todas as lembranças, mesmo aquelas nao mais lembradas
agora um tanto embriagadas
marcam presença numa historia que não é minha.

Lembrar de não lembrar
Lembrar de não esquecer
Lembrar de viver.

E o que seria, neste momento, o poema,
senão o vinho que se derrama no papel?
E os sonhos frustrados?
e os desejos nao atendidos?
e, da alma, os gemidos
cuidadosamente esquecidos?
Quem esquece nao lembra de que já esqueceu
Quem nao esquece lembra na presença e na ausência.

Já nao importa se o vinho foi posto ao cálice
Importa somente que foi bebido, derramado, misturado
e nao tornará a voltar.


22.06.11

terça-feira, 31 de maio de 2011

Amigo

Preciso de amigos em Cristo, irmãos de Verdade. Que chorem comigo e que sorriam comigo, e que me busquem e me tirem para um lugar melhor, lugar mais verde.Preciso de amigos que me percebam, que sejam fieis de verdade.
Amigos que nao esqueçam daquilo que não consigo esquecer. Não ´precisa me levarem rosas, mas que me levem sorrisos e alegria. Preciso de amigos que me passem tranquilidade, que orem comigo, que jejuem junto. Que sejam diferentes de mim. E sintam saudade de fato e me visitem e tomem café comigo, mesmo sem serem convidados, pois amigo de verdade não precisa de convite, está sempre presente.E eu preciso que eles sejam menos frios e me abracem sempre que quiserem, ou sempre que eu precisar. Que me olhem diferente e me vejam como sou. Ah, como me pesa nao tê-los, não vê-los, não conhecê-los. Como me pesa que eles nao me conheçam, que não cheguem até mim.Como me pesa essa barreira. Então eu fecho os olhos, seguro as lágrimas e percebo que só o Senhor é meu amigo de Verdade. Que só o Senhor não me decepciona, que só o Senhor me busca quando eu me perco, que só o Senhor tem intimidade o suficiente comigo a ponto de não precisar convidá-lo todas as vezes pra tomar café: estamos sempre juntos. Só o Senhor me entende, ri e chora comigo e joga fora a indiferença e me abraça quando preciso de abraço; e me escuta, quando preciso desabafar; e me corrige quando preciso de correção. Só o Senhor me leva a pastos verdes e está comigo no dia da minha angústia e não esquece daquilo que eu não cosigo.
Sim, amigo fiel é o Senhor.Ah, como é bom tê-lo, vê-lo, conhecê-lo.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Clave de SOL

É por ele que toco minha flauta
É por ele que faço melodia,
escrevo uma letra,
rabisco a poesia
É por ele que toco piano
e, ao som do piano, posso dançar
sua mao na minha mao
seu olhar no meu olhar.
Se um tango, se uma valsa
se um ballet, se uma salsa
é pra ele que vou dançar.

Na minha partitura
somos enarmonia
susteniste meu SOL
quando eras um LÁ bemol.
E, na consonancia dessa dança
que sobrepassa meu entendimento,
esqueço quem sou
por um breve momento.

Como quisera
atirá-lo em meu piano
e lhe arrancar notas mais graves
e misturar musicas e poesias;
notas e claves.
E, sendo ele meu instrumento,
esquecer as partituras
nessa dança de misturas
que lhe seduz o pensamento.

É por ele que canto
é pra ele que danço
pois, se das notas,
somos harmonia
tudo nesta vida é sincronia.


28.05.11

terça-feira, 24 de maio de 2011

Atmosfera

Era uma rua vazia
Caminhávamos em silêncio
Com nossos silêncios calados
Escutávamos borboletas dançando.
Mas à sombra de um feixe de luz
que restava de um poste, em sua solidão,
Eu escutava a música da sua voz
E era o que mais interessava.
Sentada, via olhos apertando-se em sorrisos
Iluminados por pouca luz.
Via sensibilidade e romantismo
e uma borboleta que pousava nele
para tirar sua atenção de mim,
e, ao ver que não era possível,
-e sabíamos que não-
saia dançando passos mal dançados
de um flamenco, no ar
De certo que tinha se apaixonado
E dançava para ele
em busca de atenção.
Mas não era possível porque, nesta noite,
Aqueles olhos eram meus.

A borboleta pousava em seu ombro
e um sorriso - tão meigo
Fazia-me sorrir
Naquela rua vazia e triste
Que calava para nos ouvir.


Agosto, 2006.

Casinha

Era um brinquedo em suas mãos
Uma Bonequinha de pano
Com olhos fechados e sorriso grande
Era sua Boneca preferia, no mundo da fantasia.
Ele brincava com ela:
Trocava roupinha,dava banho, punha pra dormir...
A Bonequinha, sempre calada, era posta na prateleira
Nada podia fazer, senão esperar
E esperava.
Ele era seu dono, era tudo o que tinha
Mas não sabia que ela vivia...
Escolhera a Boneca dos olhos bonitos, do sorriso grande
Ela o amava com amor humano
Mas era apenas uma Boneca
Até quando ele brincaria?

Era um brinquedo em suas mãos
Uma Boneca com sentimentos
De olhos borrados e sorriso triste...
Já não brincava mais com ela...
Boneca nova, talvez?
Esperava apenas...por tão pouco!

Esperava aqueles carinhos, embora de brincadeira
Esperava músicas, passeios, cobertores
Agora só tinha a prateleira
E ficava parada se perguntando por que era uma boneca
Frágil, ingênua, triste

E por não ter mais olhos pintados, apenas borrados
Por não ter mais sorriso grande, mas triste
Ele não brincou mais.
Deixou-a, esquece-a
Novas Bonecas, talvez
E ela nada sabia.
E um dia, cheia de poeira
...cabelos assanhados - ele nunca mais penteara!
Pálida e talvez suja...
E, um dia, sem dormir de noite pensando nele
Um dia ele a jogou no lixo
Julgava-na feia
Não sabia que Boneca nenhuma poderia amá-lo tanto
Não sabia que olhos borravam-se por ele
Que sorriso entristecia-se de saudade, decepção
E, um dia, por amá-lo tanto
Ele a jogou...esqueceu-na
E a Boneca era só lamentos
E a Boneca era eu!

15.03.06

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Narrativa

E descrições são
de momentos que passaram
e não souberam passar
dos gostos que ficaram
espalhados no cheiro do ar.
E descrições que ficam em mim
(Não ouso falar)
E a caneta não quer deixar
Escrever versos sobre ti.
E descrevo, em mim,
a imaginação do teu olhar
e verso, em ti, o que o silêncio não pode falar.
E me descreve teus sentimentos
os gestos, as notas no ar
para que eu cante tuas músicas
para que possa te dançar.
E se me descreves como te peço
entrego-te meu verso
que a caneta aceitou dançar.

Ah, deixe-me cantar cantigas de roda
E teus cabelos afagar
e, tua cabeça no meu colo,
põe-te a cochilar
E ponho minha testa na tua testa
e testo o teu coração...
Tua respiração no meu pulmão
teu cheiro que não vai largar.
A música acaba rápido
Canto mais devagar
Como sair dali
Se o que mais quero é ficar?

Saio.
E descrevo por horas a fio
(a mim mesma)
o teu cheiro, o teu toque, a tua música
Me ensina a dançar...
Me diz como não sonhar com você.


18.05.11

sábado, 7 de maio de 2011

Além do Silêncio

Havia uma tristeza absurda naquela manhã
De triste, o vento parou de soprar
Chorando, havia perdido o fôlego.
E tão triste era o canto dos pássaros
que nem tinham vontade de assobiar.

Não se conseguia falar
Os dentes se apertavam,
mastigando o choro que queria sair.
Volta, volta. Agora não é hora.
E quando seria?

Havia uma tristeza absurda naquela tarde que não passava
Nem mais o sol queria se mover
E este dia precisa passar
E, de triste, as nuvens choravam
e tolas, as pessoas achavam que era chuva!

Não se conseguia esquecer as lembranças
Coisas boas devem ser guardadas
No fundo do coração.

Havia uma tristeza inconfundível naquela noite infinita
Como se tivessem aprisionado o silêncio, para que não gritasse
E por isso ele permanecia quieto
Mas por dentro, o silencio gritava.
Gritava até perder a voz.

E naquele dia sem vento e sem canto
Naquele dia em que o choro teimava em sair
Pensei que sol estivesse estático
E estava (sempre esteve),
O que nao se movia era meu mundo.
E com tantas lembranças maravilhosas
Haviam gritos por trás do meu silêncio.

25 a 28/08/08

terça-feira, 3 de maio de 2011

Indiferença

Era do mesmo jeito,
a mesma cara, o mesmo tom de pele
Mas eras diferente.
A diferença nao era na fala, nas roupas,
Tampouco no tua expressao
POis teus olhos continuavam lindos
A tua voz, aquela
E talvez tuas maos tivessem o mesmo cheiro
Teus beijos os mesmos gostos
E teu sorriso...sempre.
Teu coraçao nao era mais meu
E me atordoara saber que em tanto tempo
Fora apenas isso o que mudara!

Léa Mont'Alverne
27.06.08

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Enlaço-me em teus mistérios
Cato tuas palavras soltas no ar
Envolvo-me em teus beijos
Aperto-me em teus braços
Onde está meu ar?
E, assim, fecho os olhos
minha pele arrepia com teus toques
E tudo está tão quieto...
As batidas do teu coração quebram o silêncio
Leva-me ao teu encontro
Prende-me em tuas teias
Esconde-me como um segredo...
Como posso te deixar agora
Se já não sei onde sou nem onde és?

Léa Mont'Alverne
02.05.11

Seguindo

Que se me vá os sonhos
Que se me vão os anos de espera
e que se faça a dor que impera
um pouco mais branda de doer.

Que se me arranque a alma
que se me vá a lembrança
dos gemidos e da esperança
que não se vai concretizar.

E que se me acabem as palavras
que se desfaça o teu retrato
o desejo da tua pele, tuas mãos, teu tato
que ja nao vou mais ter.

E que se vá embora
neste dia, nesta hora
aquilo do teu corpo
que o meu nao deixou sair.
Ah, se ja nao posso falar
se ja nao posso sentir
só me resta ir...

Léa Mont'Alverne

30.04.11