Uma música clássica que tintila
e saboreia do vinho que pensei ter posto ao cálice
e que sobem as notas e descem aos aordes do violino
misturadas ao vermelho do vinho.
E todas as lembranças, mesmo aquelas nao mais lembradas
agora um tanto embriagadas
marcam presença numa historia que não é minha.
Lembrar de não lembrar
Lembrar de não esquecer
Lembrar de viver.
E o que seria, neste momento, o poema,
senão o vinho que se derrama no papel?
E os sonhos frustrados?
e os desejos nao atendidos?
e, da alma, os gemidos
cuidadosamente esquecidos?
Quem esquece nao lembra de que já esqueceu
Quem nao esquece lembra na presença e na ausência.
Já nao importa se o vinho foi posto ao cálice
Importa somente que foi bebido, derramado, misturado
e nao tornará a voltar.
22.06.11
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