Era uma rua vazia
Caminhávamos em silêncio
Com nossos silêncios calados
Escutávamos borboletas dançando.
Mas à sombra de um feixe de luz
que restava de um poste, em sua solidão,
Eu escutava a música da sua voz
E era o que mais interessava.
Sentada, via olhos apertando-se em sorrisos
Iluminados por pouca luz.
Via sensibilidade e romantismo
e uma borboleta que pousava nele
para tirar sua atenção de mim,
e, ao ver que não era possível,
-e sabíamos que não-
saia dançando passos mal dançados
de um flamenco, no ar
De certo que tinha se apaixonado
E dançava para ele
em busca de atenção.
Mas não era possível porque, nesta noite,
Aqueles olhos eram meus.
A borboleta pousava em seu ombro
e um sorriso - tão meigo
Fazia-me sorrir
Naquela rua vazia e triste
Que calava para nos ouvir.
Agosto, 2006.
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