sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Felicidade


Asas, voos e saltos
Nada me tira 
Do caminho em que vais passar
Reitero: teimosia de tantos sonhos 
Estrelas por onde passar.

sons suaves que serpetinam dentro de mim
sabor de vida, amado, esperado
cujo olhar me arranca suspiros
emociona as lágrimas escondidas
traz vida.

Aperto em meus braços
o mundo já nao precisa girar
sem palavras...
águas de vida que inundaram alguma plantação
edificação que repousa sobre sonhos
confetes e lantejoulas
todas as cores cabem aqui.

Repousa sua mão sobre a minha
meus olhos encontram o olhar mais bonito
sorriso de sorte
sabendo que, sem min, nada seria,
sabendo que, sem ti, me punha vazia
olhando a rua
em noite sem luar!

Truxeste pássaros, 
que na minha janela cantam
aquietam-se em meu varal
as músicas que compus
para cantar nas tuas madrugadas
e, com todo os beijos, te fazer relaxar.

E é tanta essa emoção
é tanta essa semente de amor
que só uma vida nao é suficiente
para provar do seu sabor

Agora tem bandinha tocando
músicas que só nós podemos escutar
E ele me chama pra dança
que eu sempre sonhei dançar.
E eu danço sob seu sorriso
duvido que haja mais bonito
duvido não apaixonar.

Mal sabe ele
quantas noite o havia sonhado
idealizado, reformulado
nerdices de equações que desconhecia as respostas
estrelas que desciam ao meu quarto
ensinando-me a direção da tua rua.

E são cores, alegria, alegria
e a certeza de que todos os dias
é com ele que vou ficar.


Léa Mont'Alverne
06.12.13

- "em coma de amor".

domingo, 27 de outubro de 2013

Miragem

Dia após dia
Sonho com seus olhos
Qual forma terão?
Qual a expressão ao me olhar?

Dia após dia
Espero que o vento te sopre primavera
Anunciando o fim do meu inverno
E que me traga mansamente o teu colo
E a alegria da perseverança com que perseverei
para encontrar teu rosto
dentre todos os rostos que já vi.

Dia após dia
Sorrio com o abrigo que haveria de me trazer
e a proteção que encontrarei em ti

Dia apos dia...
balancinho da rede...
risos ao luar...
Sua mão na minha...
Canção aos meus ouvidos...
Teu despertar sonolento...
A confiança no meu cuidar...

Dia após dia
Ouço teus passos cada vez mais perto
Minhas mãos gelam
Imagino sua voz...

Posso esperar!
Eu carrego o seu nome
E honro a sua chegada
Pois sei que sou sua Senhora.

Léa Mont'Alverne
22.10.13

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Partida

Olho ao redor
as malas sobre a cama
passa o tempo.... minutos... suspiro
Já não verei seu olhos
nem tocarei seus cabelos
Já não dançarei
não dançaremos
não terei seu melhor sorriso
nem o tom da sua voz

Olho a porta.... longo silencio
recordo sorrisos
arranco sonhos
sento no chão
...o chão...

Respiro fundo
já não sentirei esse cheiro
e aqueles beijos já não me pertencerão
Como é que vai embora de onde não se quer ir?
Cafés-da-manha
cheiro de roupa limpa
brincadeiras infantis que me davam alegria
canto...
não consigo cantar
Minha alma grita.
Estou ao meio
estou partida.

Volto atrás, trago pensamentos, analiso a situação
comparo ideias, palavras, atitudes
Me pergunto
se o sonho, se a dança, se expectativa, se a esperança, se o amor....
foi só meu?
O perdi ou nunca o tive?
Suspiro... travo os dentes
Olho a porta, pego as chaves
Vou embora
Pra nunca mais voltar.



Léa Mont'Alverne
16.09.13

terça-feira, 10 de setembro de 2013

(Re)compondo

Uma guitarra tocava uma nota
A nota voava, vagava
Trazia-me um ré
Recordações de lugares da minha história
Retalhos de uma colcha
Remendos de uma roupa
Reconstruções que me trazia lá .... lá atrás
Aonde parei?
Retroajo.
Restrinjo o que penso que sei - o que sou é mais importante - mas o que sou?
Relembro...
Sonhos colecionados em Sol
Soltos na partitura da vida
Da música que compus.
Releio... serenatas, poeminhas, amores infantis
Recrio.
Como o lápis, risco o poema e ele me risca, entrega-me, já não guardo segredo.
Respeito.
Cada estrofe, seu cuidado
Que traz a existência o que não existia
Que amassa o papel que sou
Que me refaz poesia
Reconstrói...
Reescreve à caneta
Que as águas não apagam
Remodela meus sonhos, meus suspiros, meus cantares
Recomeço...
Como música nova
Que nunca deixou de tocar.


Léa Mont'Alverne
10.09.13

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Esperança

Enquanto oro em silêncio
Suspiro com tua lembrança
Passa hora, dia, mês...
Em inquietude que Deus quer acalmar.
Rio-me de mim, de nós juntos
Ouço músicas com o teu falar
Venho e fico bem perto
Ouço teus passos para me encontrar.
Carinho! Achei meu lugar de sossego
Em mim, achaste teu lar.

Léa Mont'Alverne
30.07.13

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Infeliz (para sempre)

Gritavam os ventos,
pelas montanhas se arrastavam.
Gritava o tempo,
as flores, as carruagens.
Gritavam tão alto
e tão ensurdecedor
que quieta ficava
no sentir da minha dor.
Gritavam as palavras
que nunca falei.
Caiam as lágrimas
que sempre ocultei.
Gritava o silêncio,
os copos, as taças.
Gritavam as portas
antes abertas, agora fechadas.
Gritava o caminho
por onde voltei.
Gritavam os versos
que não sussurrei.

Cresciam montanhas
no ranger dos meus dentes
e as notas caiam
espalhadas no batente
que não pude subir.

Faltava pouco...
faltava muito!
Uma passarela
uma aquarela que não pude pintar.

E agora, os caminhos fechados,
errava até o penteado
com o qual queria encantar.

E por tudo
gritavam os dedos,
nos cabelos entrelaçados
que aquilo a que se propunham
não seria alcançado

Olhei pros pés,
agora cortados,
que o salto de cristal
havia se quebrado.
Já não era Cinderela
não era a Bela da Fera
não era a Aurora 
no leito do sono.
E com tantos "nãos"
era só a Branca de Neve
perdida na floresta
sem a casa de um anão.


E eram tantos gritos -que o meu eu guardava - 
de tantas palavras...
que se fecham os livros
do meu conto de fadas
Porque o Príncipe...
recusou a minha mão.

Léa Mont'Alverne
01.07.13

sábado, 15 de junho de 2013

Confissão

Nao nego
que seria sentinela
voaria até tua janela
so pra tocar a tua mao

Não nego
que pensei em te falar
que esperei te encontrar
que segurei a emoção

Não nego
que cantei para as estrelas
que ensaiei tantas maneiras
de te expor meu coração

Não nego
que me causa tanto pesar
andar e não te encontrar
e esquecer minha canção

Não nego
que me revesti de coragem
usei de toda malandragem
e não deu certo, nao

Não nego
que se você me perguntar
por dentro vou me apertar
e depois eu posso até chorar
mas vou te dizer que não.

Léa Mont'Alverne

15.06.13

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Alheio


Era noite, era dia,
sorriso e alegria.
Era o calor da saudade,
o frio da tempestade.
Era a fortaleza,
o prazer,
jardim onde se encontram os sonhos.
Era metade,
era serenidade,
eternidade.
Pátio da minha descoberta,
porta que deixei aberta,
abraço que sonhei ganhar.

Era o tum-tum do coração
do passarinho, a canção,
onomatopéia do despertar.

Era o relógio que marcava o tempo,
a mão que gira a maçaneta,
sinfonia do meu piano,
olhar incerto, de engano.

Era o gelado, o céu e o mar.
O clichê do meu versar,
a estrofe que se prolongava no tempo,
o tempo que deixava de passar.
Empatia descoberta,
silêncio do desprezar.

Algodão doce na minha boca,
perfume que me atrai,
olhar que me tira do sério,
lembrança que descontrai.

era isso, era aquilo...
era tudo...

Mas não era meu.

12.06.13

sábado, 1 de junho de 2013

Desconhecido

Quem és
que apareces com contornos não definidos
que envolve e mistura os meus sentidos
que me abraça enquanto abraço minha solidão?

Quem és
que te mostras com todas as cores
e vem tao cheio de sabores
que me atrai como a onda no mar?

Quem és
que sorri e se esconde
e vais não sei pra onde
onde não posso te buscar?

Que digo, eu (de ti)
digo que es o frio na barriga
o sonho que me chama na madrugada
o bastão da corda bamba
desejo que me deixa acordada

Que pensa que és
para virar meus pensamentos
e me causar tormentos
e deixar-me insegura
segura de que te quero
e não saber o que espero...

Só com teu existir?!

01.06.13