quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Adiante

Acordo entre sonhos me que contam de ti

Vejo contornos da tua alma

Detalhes escondidos nos escombros do teu coração.

Conheço-te profundamente

Desconheço-te à medida em que me aproximo.


Apareces e desapareces, como pedaços de felicidade.

Iludo-me de que me esperas

Contento-me com pedaços de ti

Descontento-me com pedaços de ti.


A tua voz dança no ar

E danço entre promessas

que nunca verei cumprir.


Aquieto-me, engulo o choro, lavo os olhos.

Disfarço o quanto posso

Não posso prosseguir.

Tropeço nas melhores palavras

cuidadosamente escolhidas.

Penso em falar,

Não falo o que penso.


Contento-me em te espiar atrás do muro que construí

com pedras de gelo colhidas na tua indiferença.

Contento-me em te amar de longe

Descontento-me em amar de longe.


Inquieto-me silenciosamente

Sobre um calendário imóvel.

Busco teu cheiro

Misturado ao cheiro do café.

Desconheço teu cheiro.

Aperta-me um nó no peito.



Dou as costas

e deixo que o rio me leve

Para um lugar mais leve

Quanto tempo levará?


Me visto de melancolia

Na saudade que a tua voz me traz

Meus olhos te buscam pelas avenidas

Quero te ver

Não quero mais te ver.


À beira do mar

Deixo que o tempo passe

e que uma hora dessas

ao fim de tarde

Todo esse querer

já não seja querer algum.


Léa Mont'Alverne

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Lar


Sinto que te venhas demorado
Amo-te, profundamente, como quem ama uma parte de si
Minto que não tenha necessidade de ti.
Um dia após o outro, vivo -em mim - a sua chegada
Escondo - de todos - a falta que me fazes
Levo comigo o afago que é só teu e espero - pacientemente - o teu tempo.

Forme-se em mim
Viva e reviva tudo o que sou
Mude meus conceitos
Altere meus medos
Traga-me leveza na inocencia do teu sorisso
Traga-me perfumes, banhos de sol, noites em claro
Traga-me vida, na tua vida
Que pare meu mundo
Já não me importo em mudar de nome
Já não me importo que meu significado seja associado ao teu
Contanto que venhas. Apenas venha!
Venha e me traga douçura
Venha e me torne mais forte
Apenas venha.
Prometo ser quem sou
Prometo te olhar, sempre te olhar, sempre te olhar
Prometo que nunca será tão amado
Prometo colo, canto, conto
Supresas e risos no meio da sala
Prometo força e coragem, valentia e firmeza
Prometo estar, sempre estar.

Preparo minha vida
Preparo minha casa
Para que tudo o que é meu seja teu
Apenas venha e fique pra sempre.

Léa Mont'Alverne
29.07.2019

terça-feira, 11 de junho de 2019

Rabiscos

Em um dia comum
Pego o papel e escrevo:
De que tamanho é o teu abraço?
Quantas notas cabem no som do teu riso pela manhã?
Com quantos carinhos se assanham teus cabelos?
Que cheiro teriam tuas mãos?
Qual o sabor do teu dia a dia?
Quantas vezes teus braços conseguem me envolver?
E de quantos perigos podem me proteger?
Qual o teu olhar de amor?
Viria este acompanhado de sorriso no canto da boca?
Qual teu lado mais macio?
Tua barba arrepiaria minha pele?
Tuas mãos traspassariam meus cabelos?
Desejaria a minha presença?
É tarde para fazer perguntas.
Rasgo e papel
E sigo sem respostas. 


Lea Mont’Alverne 

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Secreto


Estavas do outro lado da mesa
Fingi não o ver, mas o vi
Ignorei.

Poe-se o tempo.
Estavas do outro lado da conversa
Fingi não sentir, mas senti
Qualquer coisa como frio na barriga e vontade de ficar
Qualquer coisa, das coisas que comigo guardei.
Ignorei?

As tuas fotos já não eram desconhecidas
Olhar tranquilo, sorriso sereno
Fingi que não as vi mais de uma vez.

Eu ouço tua voz chamar
disfarço, finjo não sentir
que ao som da da tua voz
meu mundo desaba.

Imagino mil coisas
guardo esperanças na concha das mãos
vejo o teu olhar nos outros
ouço segredos que aceleram o coração.

Que há entre nós,
que me atrai e sequestra meus pensamentos
que quando estás perto é só por um momento
que nos teus passos estás sempre a sair?
Ignoro meu anseio.
Finjo que não quero que fiques
porque, quanto a mim, não posso ficar.

Que sou eu, então
para que me ganhes e me ignores
para que me prendas à sala e a ela não tornes?
Que é a minha voz aos teu ouvidos
e as coisas que não ouso falar?
Sorrisos e conversas boas
Sentimentos que preferi guardar.

Suspiro.
Baixo a cabeça.
Tu nunca saberás
Das coisas que  trago comigo
Do quanto desejei ficar.
Que mesmo fingindo não te ver
ver, eu sempre te vi
que mesmo fingindo não querer
eu sempre te quis.


Léa Mont'Alverne
07-08.2018

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Felicidade


Asas, voos e saltos
Nada me tira 
Do caminho em que vais passar
Reitero: teimosia de tantos sonhos 
Estrelas por onde passar.

sons suaves que serpetinam dentro de mim
sabor de vida, amado, esperado
cujo olhar me arranca suspiros
emociona as lágrimas escondidas
traz vida.

Aperto em meus braços
o mundo já nao precisa girar
sem palavras...
águas de vida que inundaram alguma plantação
edificação que repousa sobre sonhos
confetes e lantejoulas
todas as cores cabem aqui.

Repousa sua mão sobre a minha
meus olhos encontram o olhar mais bonito
sorriso de sorte
sabendo que, sem min, nada seria,
sabendo que, sem ti, me punha vazia
olhando a rua
em noite sem luar!

Truxeste pássaros, 
que na minha janela cantam
aquietam-se em meu varal
as músicas que compus
para cantar nas tuas madrugadas
e, com todo os beijos, te fazer relaxar.

E é tanta essa emoção
é tanta essa semente de amor
que só uma vida nao é suficiente
para provar do seu sabor

Agora tem bandinha tocando
músicas que só nós podemos escutar
E ele me chama pra dança
que eu sempre sonhei dançar.
E eu danço sob seu sorriso
duvido que haja mais bonito
duvido não apaixonar.

Mal sabe ele
quantas noite o havia sonhado
idealizado, reformulado
nerdices de equações que desconhecia as respostas
estrelas que desciam ao meu quarto
ensinando-me a direção da tua rua.

E são cores, alegria, alegria
e a certeza de que todos os dias
é com ele que vou ficar.


Léa Mont'Alverne
06.12.13

- "em coma de amor".

domingo, 27 de outubro de 2013

Miragem

Dia após dia
Sonho com seus olhos
Qual forma terão?
Qual a expressão ao me olhar?

Dia após dia
Espero que o vento te sopre primavera
Anunciando o fim do meu inverno
E que me traga mansamente o teu colo
E a alegria da perseverança com que perseverei
para encontrar teu rosto
dentre todos os rostos que já vi.

Dia após dia
Sorrio com o abrigo que haveria de me trazer
e a proteção que encontrarei em ti

Dia apos dia...
balancinho da rede...
risos ao luar...
Sua mão na minha...
Canção aos meus ouvidos...
Teu despertar sonolento...
A confiança no meu cuidar...

Dia após dia
Ouço teus passos cada vez mais perto
Minhas mãos gelam
Imagino sua voz...

Posso esperar!
Eu carrego o seu nome
E honro a sua chegada
Pois sei que sou sua Senhora.

Léa Mont'Alverne
22.10.13

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Partida

Olho ao redor
as malas sobre a cama
passa o tempo.... minutos... suspiro
Já não verei seu olhos
nem tocarei seus cabelos
Já não dançarei
não dançaremos
não terei seu melhor sorriso
nem o tom da sua voz

Olho a porta.... longo silencio
recordo sorrisos
arranco sonhos
sento no chão
...o chão...

Respiro fundo
já não sentirei esse cheiro
e aqueles beijos já não me pertencerão
Como é que vai embora de onde não se quer ir?
Cafés-da-manha
cheiro de roupa limpa
brincadeiras infantis que me davam alegria
canto...
não consigo cantar
Minha alma grita.
Estou ao meio
estou partida.

Volto atrás, trago pensamentos, analiso a situação
comparo ideias, palavras, atitudes
Me pergunto
se o sonho, se a dança, se expectativa, se a esperança, se o amor....
foi só meu?
O perdi ou nunca o tive?
Suspiro... travo os dentes
Olho a porta, pego as chaves
Vou embora
Pra nunca mais voltar.



Léa Mont'Alverne
16.09.13