sexta-feira, 22 de julho de 2011
Janela
Restaria, ainda, uma esperança
que eu fingia nao ter
Nada vindo da lembrança
era apenas um querer
Um querer solitário
de que fosse algo mais
mais do que palavras frias
mais do que conversas vazias
e olhos que queriam olhos
esperando-o na janela.
Ah, descobri esses dias
que a janela do meu sonho
somente lhe cabia.
E espero, espero, espero
na mesma janela
que, da janela, me avistes
e de pronto me convides
para dividir a tua vida.
Um amor de verdade
um sonho que vira realidade
a minha vida só na metade
porque a outra parte
a ti entregarei
Se me percebes, então
dando-me o braço, dá-me o coração
e pucha-me da janela adentro
e eu te mostro
quão colorida é a vida
que mesmo com a alma partida
junto a mim se renova.
Ah, descobri esses dias
que a janela do meu sonho
cabia um amor eterno
um aconchego verdadeiro
um carinho que se prolonga no tempo
e, sendo, que seja infinito
como o tempo o é.
23.07.11
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Dicotomia
Tanto tempo de espera
Na sombra de alguém
que se elevou
e enalteceu
cresceu como se crescem as plantas
regado com orvalho
alumiado pelo sol.
Sopra-se o vento
tira-lhe folhas secas
renova-lhe a aparência
sendo, contudo, a essencia
uma antítese disfarçada
uma equação bem esborçada
que ninguem consegue resolver!
Como lhe desejara, os frutos dessa árvore!
Quão apetitosos pareciam!
E... à beira da parede
deveria crescer rente ao chao.
E vem o sol...
e passa a chuva...
e sopra o vento...
e vão-se os dias...
De tal modo que,
no despertar melancólico
de mais uma manhã
a planta subira na parede
enrolara-se nas grades
Elevara-se... para muito além do esperado.
Acaso não fui eu quem lhe deu de beber?
Acaso não fui eu o orvalho e o sol e o vento?
como poderia ter se elevado,
quando deveria ter ficado rente ao chao?
Pego-lhe o fruto...
engano-me que seja melancia pequena
e, no provar descubro:
era maracujá!
Ah... que decepção
porque, afinal, do pés de maracujás
nao se podem tirar melancias!!
13.07.11
Na sombra de alguém
que se elevou
e enalteceu
cresceu como se crescem as plantas
regado com orvalho
alumiado pelo sol.
Sopra-se o vento
tira-lhe folhas secas
renova-lhe a aparência
sendo, contudo, a essencia
uma antítese disfarçada
uma equação bem esborçada
que ninguem consegue resolver!
Como lhe desejara, os frutos dessa árvore!
Quão apetitosos pareciam!
E... à beira da parede
deveria crescer rente ao chao.
E vem o sol...
e passa a chuva...
e sopra o vento...
e vão-se os dias...
De tal modo que,
no despertar melancólico
de mais uma manhã
a planta subira na parede
enrolara-se nas grades
Elevara-se... para muito além do esperado.
Acaso não fui eu quem lhe deu de beber?
Acaso não fui eu o orvalho e o sol e o vento?
como poderia ter se elevado,
quando deveria ter ficado rente ao chao?
Pego-lhe o fruto...
engano-me que seja melancia pequena
e, no provar descubro:
era maracujá!
Ah... que decepção
porque, afinal, do pés de maracujás
nao se podem tirar melancias!!
13.07.11
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