quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Secreto


Estavas do outro lado da mesa
Fingi não o ver, mas o vi
Ignorei.

Poe-se o tempo.
Estavas do outro lado da conversa
Fingi não sentir, mas senti
Qualquer coisa como frio na barriga e vontade de ficar
Qualquer coisa, das coisas que comigo guardei.
Ignorei?

As tuas fotos já não eram desconhecidas
Olhar tranquilo, sorriso sereno
Fingi que não as vi mais de uma vez.

Eu ouço tua voz chamar
disfarço, finjo não sentir
que ao som da da tua voz
meu mundo desaba.

Imagino mil coisas
guardo esperanças na concha das mãos
vejo o teu olhar nos outros
ouço segredos que aceleram o coração.

Que há entre nós,
que me atrai e sequestra meus pensamentos
que quando estás perto é só por um momento
que nos teus passos estás sempre a sair?
Ignoro meu anseio.
Finjo que não quero que fiques
porque, quanto a mim, não posso ficar.

Que sou eu, então
para que me ganhes e me ignores
para que me prendas à sala e a ela não tornes?
Que é a minha voz aos teu ouvidos
e as coisas que não ouso falar?
Sorrisos e conversas boas
Sentimentos que preferi guardar.

Suspiro.
Baixo a cabeça.
Tu nunca saberás
Das coisas que  trago comigo
Do quanto desejei ficar.
Que mesmo fingindo não te ver
ver, eu sempre te vi
que mesmo fingindo não querer
eu sempre te quis.


Léa Mont'Alverne
07-08.2018

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