domingo, 12 de fevereiro de 2012

Platonismo

Imaginava-o.
Seus olhos, seu olhar, sua expressão.
Sonhava-o sonhando comigo
e não queria acordar.
Acordava para vê-lo e não o via
nos meus cabelos, sua mão, não sentia
no seu mar, eu era apenas uma onda.

Imaginava-o sem, contudo, conhecê-lo
conhecia-o a meu modo
segundo meus pensamentos, de que sonhava acordado.

Poderia amar ao desconhecido?
Poderia um dia conhecer
de suas mãos, de seus abraços, de seus beijos?
Ama-lo-ia ainda assim?

Imaginava-me
cantando - pra ele
cuidado - dele
sendo - o que ele quisesse
não imaginando mais.

Eras tão perfeito
em ti não havia defeito
que me fizesse te amar menos
te querer menos
te imaginar como sempre.

Mas se estavas no mundo das idéias
que idéia fazia - ele - de mim?
Pois digo que posso ser tudo
até que vejas quem de fato o sou.

Chama-me devagar...
convida-me a entrar...
e não me deixes sair jamais
E eu te mostrarei como faz
como faz pra ser feliz.

Léa Mont'Alverne

12.02.12

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